Mostrar mensagens com a etiqueta Educação Física. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação Física. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, setembro 03, 2008

Educação Física e Desporto Escolar - aprendizagem, prazer e estilos de vida activos

Para divulgação aqui se regista um texto de opinião que nos foi solicitado e publicado pelo semanário Soberania do Povo (5.9.08), sobre a Educação Física e Desporto Escolar nesta rentrée do novo ano lectivo:


Num momento em que uma simples e atenta observação, nos leva a reflectir perante a inactividade física de muitas crianças e jovens, em que a obesidade galopante ganha forma nas pregas adiposas cada vez em mais crianças e jovens e que as diferentes formas de iliteracia motora e ausência de regular prática desportiva continuam a caracterizar a nossa sociedade, a Educação Física (EF) readquire relevo e significado para a saúde, qualidade de vida e bem-estar de crianças e jovens. Relembremos as suas finalidades educativas:
"-Melhorar a aptidão física, elevando as capacidades físicas de modo harmonioso e adequado às necessidades de desenvolvimento do aluno.
-Promover a aprendizagem de conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades físicas.
-Assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno, através da prática de:
-Actividades desportivas nas suas dimensões técnica, táctica, regulamentar e organizativa;
-Actividades físicas expressivas (danças), nas suas dimensões técnica, de composição e interpretação;
-Actividades físicas de exploração da Natureza, nas suas dimensões técnica, organizativa e ecológica;
-Jogos Tradicionais e Populares.
-Promover o gosto pela prática regular das actividades físicas e assegurar a compreensão da sua importância como factor de saúde e componente de cultura, na sua dimensão individual e social;
-Promover a formação de hábitos, atitudes e conhecimentos relativos à interpretação e participação nas estruturas sociais, no seio dos quais se desenvolvem as actividades físicas, valorizando:
-a iniciativa e a responsabilidade pessoal, a cooperação e a solidariedade;
-a ética desportiva;
-a higiene e segurança pessoal e colectiva;
-a consciência cívica na preservação de condições de realização das actividades físicas, em especial da qualidade do ambiente."

Neste contexto a qualidade das práticas proporcionadas aos alunos nas aulas de EF, em cada escola são fundamentais, para que estes, num clima alegre, divertido e positivo retenham boas recordações das suas vivências de práticas desportivas e paralelamente consolidem aprendizagens motoras, conhecimentos, atitudes e valores que lhes permitam continuar cidadãos activos ao longo da vida. Relembremos que apesar de (ainda) não possuirmos estudos sobre a realidade sócio-desportiva de Águeda, Portugal continua no penúltimo lugar europeu na vinculação desportiva da sua população (Eurobarómetro, 2004). Não nos serve de consolação saber que a Grécia é o último …
A EF pode assim, constituir-se como uma abordagem estruturada, desde o 1º ano de escolaridade até aos anos terminais do ensino secundário, a uma Cultura Motora que não se limite a preencher o tempo livre dos jovens ou a contribuir para uma qualquer alfabetização motora. A regularidade e qualidade das suas práticas, potenciadas pelas condições dos contextos de vida de crianças e jovens (espaços verdes, jardins, qualidade de espaços, públicos, quantidade e qualidades de parques lúdico-motores, disseminação de pequenos espaços de jogo, etc.) podem ser factores de vinculação desportiva, mas também de qualidade de vida e um forte contributo para a saúde pública.
Em termos de instalações e equipamentos desportivos, não estarão em causa a construção de naves desportivas, mega-pavilhões ou uma até de uma piscina junto de cada escola. Mas sim de disponibilizar os espaços em termos de área e qualidade e diversidade dos pisos, que em paralelo com a quantidade e qualidade dos recursos materiais (bolas, arcos, cordas, bastões, cones, colchões, etc.) incentivem a prática regular da EF em todas as escolas. Não podemos deixar de recordar aqui a arquitectonicamente interessante escola EB1 de Assequins, com um espaço exterior desqualificado e pobre para a estimulação das crianças… Sabemos hoje que há muitas crianças, alunos das nossas escolas, que apenas nelas têm oportunidades de aprendizagem das habilidades, dos conhecimentos, das atitudes e dos valores característicos das actividades físicas e desportivas. Por outro lado, a dinâmica da turma exige espaços e oportunidades de interacções pessoais fora do contexto da sala de aula, exige actividades que pelas suas características coloquem as crianças perante diferentes desafios e aprendizagens. Por tudo isto, hoje desenvolver o desporto, fomentar as práticas desde cedo das actividades físicas e desportivas, criar oportunidades de prática e aprendizagem para todas as crianças das nossas escolas, também passa pelas preocupações em requalificar espaços e disponibilizar materiais e equipamentos desportivos para a área de EF em todas as escolas do concelho.
Num tempo inflacionado de projectos, planos e plantas como é possível (ainda) fazer aprovar edificações, conjuntos habitacionais, urbanizações onde desde a concepção ao seu planeamento não estejam previstos os fundamentais espaços verdes, de convívio social, de encontro entre as pessoas, de espaços de práticas de actividades físicas e desportivas?
Também em Águeda, a EF não pode ser o contexto educativo de selecção e detecção de talentos “andebolísticos” ou outros, sob pena de hipotecar as suas finalidades educativas perante todas as crianças e jovens. Para os processos de aperfeiçoamento de competências específicas em cada actividade desportiva, o enquadramento do Desporto Escolar (DE) pode ser a resposta adequada, desde que tecnicamente enquadrado.
A prática da EF e o desenvolvimento de projectos de DE nas nossas escolas pode e deve ser rentabilizada numa lógica de rede concelhia em que as escolas se envolvam e trabalhem conjuntamente. Para tal, importa desenvolver políticas municipais de educação que possam ter olhares amplos acerca das oportunidades de rentabilizar recursos e garantir oportunidades qualificantes de vivências desportivas às crianças e jovens de Águeda.
A prática desportiva que para quase todas as crianças se inicia na escola, não é hoje (só) um problema de aprender regras de modalidades desportivas ou de dominar (só) esta ou aquela técnica desportiva. É acima de tudo uma abordagem estruturada de combate à inactividade e ao sedentarismo, de busca do prazer e satisfação nas práticas desportivas, com fortes implicações na nossa saúde pública, na qualidade de vida futura e no bem-estar no presente.
Por tudo isto, vale a pena encarar o ano escolar que se aproxima, como mais um degrau na construção de múltiplas e diferentes oportunidades de que cada vez mais crianças e jovens gostem e gozem com a prática desportiva, consolidem competências e aumentem a sua percepção de sucesso pessoal nas suas práticas e que as suas memórias positivas os incentivem a prolongar um estilo de vida activo ao longo da vida.

Rui Neves
Docente Universitário
Águeda
Setembro/08

quarta-feira, junho 25, 2008

Educação física, sucesso educativo e a Finlândia


Num blog como o nosso onde as palavras Finlândia e Educação Física surgem com tanta frequência, achamos que não devemos desperdiçar a oportunidade de as salientar quando se cruzam na circulação de informação na blogosfera. Assim, infelizmente as informações abaixo apresentadas, emergem com uma carga negativa para Portugal e positiva para a Finlândia, até a prioridade curricular da nossa escola deixar de ser a quantidade (das horas) para ser a qualidade dos processos de aprendizagem.

Vénia para:
http://professoresramiromarques.blogspot.com/2008/05/educao-fsica-e-rendimento-escolar-o.html


Educação Física e rendimento escolar: o exemplo finlandês
Os alunos finlandeses são dos que têm mais horas de educação física por semana.La práctica de actividades deportivas contribuye al rendimiento escolar. Los defensores de esa teoría, como el director del departamento de Educación Física de la Facultad de Ciencias del Deporte y la Educación Física (INEF) de A Coruña, Xurxo Dopico, o el decano de esa facultad, Rafael Martín, echan mano del ejemplo finlandés para apoyar sus argumentos. Finlandia, país en el que según el informe PISA se ha alcanzado un mayor rendimiento académico, tiene establecido dentro de su modelo educativo la práctica diaria de ese tipo de actividades en todos los niveles. A eso hay que añadir que el 60% de los escolares hacen ejercicios con los compañeros y el otro 40% practican deporte de forma regular en ayuntamientos, asociaciones o clubes. Todo ello implica una media de más de14 horas semanales de actividad física. El modelo es muy diferente en Galicia, una comunidad en la que entre el 25 yel 30% de la población infantil tiene sobrepeso. Otras comunidades en las que los índices de exceso de peso rondan los de los gallegos ya han tomado nota y tienen mayor número de horas de gimnasia. Un ejemplo son Canarias o Madrid, donde ya en primaria hay un 50% más de horas de esta materia que en las aulas.Com uma vénia ao blog GliceriaVeja o meu texto sobre obesidade na infância adolescência: Televisão, Valores Desprezíveis e Obesidade. Em Portugal, a Educação Física continua a ter um estatuto de menoridade. No 1º CEB, são dadas orientações às escolas para projectarem as expressões artísticas e motoras nas actividades de enriquecimento curricular. No 2º CEB e no 3º CEB, a Educação Física está reduzida a um bloco de 90 m. mais um bloco de 45 m.