quinta-feira, Junho 18, 2009

As europeias e a governabilidade do país

Os resultados das eleições europeias, entendidos por alguns como as primárias das legislativas, lançaram uma panóplia de suposições, hipóteses e cenários. Tudo bem, nada de anormal. Só que na grande maioria dos analistas existe um "esquema mental bloqueado". Isto é, toda a lógica da governabilidade do país, está centrada no PS e no PSD. Apesar do estado a que Portugal chegou ser da responsabilidade directa e indirecta, dos entendimentos e/ou dos desentendimentos, mais transparentes e/ou menos claros entre estes dois partidos, a lógica da compreensão política do país é obsessivamente centrada nestes partidos do centrão. Como refere preocupadamente João César das Neves no DN "A soma dos dois partidos centrais, PS e PSD, foi inferior a 60%, o que só aconteceu uma vez desde 1974, em 1985, no momentâneo surto do PRD. Há 20 anos que esse valor anda acima dos 70%. Nas últimas europeias foi de 81%, e de 79% nas legislativas de 2005. Desta vez ficou pelos 58%. Além disso nenhum dos dois grandes conseguiria maioria absoluta com qualquer dos pequenos". Há uma lógica anti-democrática de cariz ideológico, que não igualiza um voto no PS com um voto no PCP, um voto no PSD com um voto no CDS. É como se um voto no PS ou no PSD tivesse um outro peso e importância. Parte-se do princípio que quem vota no PS e no PSD são cidadãos respeitáveis e responsáveis... Quem vota nos outros são uma cambada de irresponsáveis... É como se todos os outros partidos existissem para completar o boletim de voto, ou dar colorido às campanhas eleitorais. O PS e o PSD podem mentir, enganar, ludibriar, dizer uma coisa hoje e o oposto amanhã, que não se passa nada. Se assim for, ainda será objecto de estudo e análise política, se necessário numa perspectiva psicanalítica...
Até quando...?

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