segunda-feira, junho 30, 2008

Águeda e o Rio - um projecto que tem de "dar certo"


Um novo projecto de requalificação das margens do rio Águeda, está em discussão pública - http://gis.cm-agueda.pt/gpdpgf4/viewer0framed.htm - Daquilo que vimos divulgado, parece ter tudo para ser uma boa aposta na valorização dos espaços públicos e na fundamental aproximação das pessoas com o seu rio. Águeda e o seu rio merecem-se. Para lá das imagens bonitas expostas em placard, importa saber qual a ideia de espaço público subjacente. Que pressupostos suportaram as decisões do projecto. Como confessável adepto de espaços verdes, como espaços de fruição total (andar, correr, passear, jogar, descansar, ...) importa não desperdiçar mais esta oportunidade. Portanto, não basta o verde, uns basquinhos modernaços escolhidos por catálogo e umas pindericas árvores que ainda hão-de crescer daqui a 25 anos... Um projecto desta natureza tem de saber conciliar as suas múltiplas utilizações, combinando públicos-alvo, sazonalidade de actividades e ocupações, tipos de lazer com diversidade de actividades físicas e desportivas. AS pontes pedonais como factor estruturante de conciliação e comunicação fácil entre as margens - para lá da sua dimensão estética - parecem-nos soluções interessantes e a rentabilizar no projecto como um todo.

Quem observou a morte do Parque do Souto Rio, como parque de lazer às mãos de certos decisores técnicos e políticos, tem de ter medo daquilo que se vai passar nas margens do rio. Quem depois observou o desperdício que foi o investimento do projecto da praça às mãos de um "desenhador" que copiou o Parque Expo, sente que agora, não há margem nem recursos para terceira oportunidade. Este projecto tem de vencer, com base na sua qualidade e capacidade de ganhar os cidadãos para a sua fruição social e de lazer. Não se trata de mais um jardim à beira do rio, com uns baloiços e quantos banquinhos. Está em causa a possibilidade de construir através deste projecto um verdadeiro ex-libris de uma cidade carente deles.
E um dos poucos ainda existentes - a sua ponte principal e mais antiga - não pode ser mexida, em nome de modernices. A ponte é a ponte. Não são necessários toques e retoques modernaços que a alinhem com a linha arquitectónica a nascer nas suas vizinhanças. As características da ponte são passado de Águeda e é sobre elas que se devem projectar as outras decisões arquitectónicas. Na nossa modesta opinião, nada há que justifique mexer na ponte do rio.
Ficamos positivamente expectantes acerca daquilo que se conseguir fazer neste projecto, que é demasiado importante para a qualidade urbana da cidade.

quarta-feira, junho 25, 2008

Educação física, sucesso educativo e a Finlândia


Num blog como o nosso onde as palavras Finlândia e Educação Física surgem com tanta frequência, achamos que não devemos desperdiçar a oportunidade de as salientar quando se cruzam na circulação de informação na blogosfera. Assim, infelizmente as informações abaixo apresentadas, emergem com uma carga negativa para Portugal e positiva para a Finlândia, até a prioridade curricular da nossa escola deixar de ser a quantidade (das horas) para ser a qualidade dos processos de aprendizagem.

Vénia para:
http://professoresramiromarques.blogspot.com/2008/05/educao-fsica-e-rendimento-escolar-o.html


Educação Física e rendimento escolar: o exemplo finlandês
Os alunos finlandeses são dos que têm mais horas de educação física por semana.La práctica de actividades deportivas contribuye al rendimiento escolar. Los defensores de esa teoría, como el director del departamento de Educación Física de la Facultad de Ciencias del Deporte y la Educación Física (INEF) de A Coruña, Xurxo Dopico, o el decano de esa facultad, Rafael Martín, echan mano del ejemplo finlandés para apoyar sus argumentos. Finlandia, país en el que según el informe PISA se ha alcanzado un mayor rendimiento académico, tiene establecido dentro de su modelo educativo la práctica diaria de ese tipo de actividades en todos los niveles. A eso hay que añadir que el 60% de los escolares hacen ejercicios con los compañeros y el otro 40% practican deporte de forma regular en ayuntamientos, asociaciones o clubes. Todo ello implica una media de más de14 horas semanales de actividad física. El modelo es muy diferente en Galicia, una comunidad en la que entre el 25 yel 30% de la población infantil tiene sobrepeso. Otras comunidades en las que los índices de exceso de peso rondan los de los gallegos ya han tomado nota y tienen mayor número de horas de gimnasia. Un ejemplo son Canarias o Madrid, donde ya en primaria hay un 50% más de horas de esta materia que en las aulas.Com uma vénia ao blog GliceriaVeja o meu texto sobre obesidade na infância adolescência: Televisão, Valores Desprezíveis e Obesidade. Em Portugal, a Educação Física continua a ter um estatuto de menoridade. No 1º CEB, são dadas orientações às escolas para projectarem as expressões artísticas e motoras nas actividades de enriquecimento curricular. No 2º CEB e no 3º CEB, a Educação Física está reduzida a um bloco de 90 m. mais um bloco de 45 m.


sábado, junho 21, 2008

A triste constatação

Sócrates estuda hipótese de criar taxa «Robin dos Bosques»

O primeiro-ministro, José Sócrates, revelou hoje em Bruxelas que Portugal está a estudar a possibilidade de aplicar a chamada taxa «Robin dos Bosques», que permitirá subir os impostos às petrolíferas e aplicar a verba obtida em apoio social.
«Isso compete a cada um dos Estados-membros e nós, em Portugal, estamos a estudar» a possibilidade de aplicar a taxa em causa, disse Sócrates, numa conferência de imprensa no final do Conselho Europeu.
«Essas matérias são difíceis, é difícil identificar qual a parcela dos lucros das empresas que derivam e resultam do aumento inesperado, brusco dos preços do petróleo«, sublinhou ainda.
O Governo italiano já aprovou a aplicação do imposto especial sobre as petrolíferas para financiar programas de assistência social a famílias afectadas pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse, na quinta-feira, que Bruxelas não se opõe a que os Estados-membros adoptem a taxa »Robin dos Bosques«, sublinhando ser uma competência nacional.
Robin dos Bosques (Robin Hood) é uma figura mítica da Idade Média britânica que roubava aos ricos para dar aos pobres. in Diário Digital 20.6.08.




Com um país pobre e cada vez mais pobre, observar as palavras a fugir da boca do nosso PM ao pronunciar-se sobre a taxa "Robin dos Bosques" foi um momento de profunda tristeza, pois contrastou com a altivez e arrogância com que no passado se apresentaram e defenderam medidas como o aumento do IVA para todos os portugueses, o aumento da idade da reforma, o aumento das contribuições sociais dos funcionários públicos, a redução continuada das comparticipações sociais, etc...

A verdadeira questão não é ler o conteúdo desta notícia, a verdadeira questão é ouvir na televisão o nosso PM a "patinar" e a dizer que "está a estudar" que como todos sabemos é um dos seus pontos fortes. Talvez que o estudo nos chegue por fax... É triste confirmar o que custa a confirmar. Que outras corporações mais poderosas têm hoje as rédeas do poder em Portugal e no mundo e que alguns se prestam a conceder vassalagem a quem não se incomoda com a crescente pobreza em todo o lado. Um mundo cada vez mais dividido económica e socialmente não será com certeza um mundo com futuro.

Solstício de Orfeu 2008


A D'Orfeu iniciou ontem à noite mais uma jornada de três dias multifacetados - SOLSTÍCIO de ORFEU 2008 http://www.dorfeu.com/eventos/solsticiodeorfeu/solsticio2008/main.htm - com o espaço habitual muito bem renovado e ampliado. O pontapé de saída foi a mui agradável surpresa dos irreverentes e incansáveis catalães La Troba Kung-Fu (Barcelona) http://www.latrobakungfu.net/ que com uma música, postura em palco e sonoridade à la manu chao, tiveram o mérito de em paralelo com o vistuosismo instrumental, transmitir um clima e uma emocionalidade musical memorável e que (mais uma vez) era merecedora de mais público, apesar da animação gerada até à 1.30 da madrugada. Para nós que "íamos às escuras" sobre o que realmente era este grupo e as suas propostas musicais, foi uma excelente noite musical repleta de animação, suportada também com o excelente som produzido na casa.
Mais uma excelente noite musical passada no quintal do Drº Adolfo junto ao tanque e ao galinheiro.... o mágico espaço D'Orfeu renovado e valorizado.

segunda-feira, junho 16, 2008

sexta-feira, junho 13, 2008

Oulu...

O debate e o discurso acerca do papel que as organizações de ensino superior desempenham nos processos de desenvolvimento tem sublinhado a correlação existente entre a capacidade de uma região enveredar por trajectórias de desenvolvimento bem sucedidas e o valor que essa região atribui aos centros de criação e disseminação de conhecimento nela localizados.

O Município de Oulu, situado no norte da Finlândia e literalmente no meio de nenhures, nas últimas décadas tem vindo a afirmar-se como um dos mais dinâmicos centros de crescimento económico do país. A presença de uma universidade (desde 1958) é considerada unanimemente como um factor crucial para a susentabilidade dessa dinâmica. O valor que lhe é atribuido está bem patente na página de abertura do sítio WWW oficial da Câmara Municipal (www.oulu.fi).

quarta-feira, junho 11, 2008

Bicicleta - uma excelente inevitabilidade urbana





Projecto. Câmara vai discutir rede de bicicletas públicas

Turistas são os que mais alugam velocípedes para passear na capital . A Câmara de Lisboa vai discutir hoje a criação de uma Rede de Bicicletas de Uso Partilhado na cidade. O projecto prevê a criação de pontos distribuídos pela cidade "onde serão disponibilizadas bicicletas, mediante um cartão", indicou fonte do gabinete do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes. As pessoas podem utilizar as bicicletas e deixá-las em outro ponto da cidade, um projecto comum em cidades europeias, como na Holanda, Dinamarca ou Barcelona (Espanha). A CML lançou em Outubro um projecto que prevê criar 86 quilómetros de percursos - vias para peões, ciclovias, pontes - a ligar os espaços verdes da capital, até 2009. "O nosso objectivo é ter, nessa data, 45 quilómetros de percursos cicláveis", medida que irá ao encontro das críticas dos amantes da modalidade e que lamentam a falta de infra-estruturas.De acordo com proprietários de lojas que alugam bicicletas "são mais os turistas que procuram o serviço", havendo "desinteresse" dos lisboetas em andar de bicicleta.Bruno Horta, que vende e aluga bicicletas na loja Without Stress, diz que "é estranho para os turistas haver poucos ciclistas em Lisboa", pois consideram que "é uma cidade completamente ciclável". Para o responsável, "há cada vez mais carros na cidade e a autarquia continua a não considerar a bicicleta como um meio de transporte, mas apenas de lazer".Também na loja BTTour, "os lisboetas alugam esporadicamente bicicletas para um passeio". Para o proprietário José Neves, a falta de interesse em aderir a este meio de transporte estará relacionada com o facto de "não haver ciclovias" e as que existem estarem "ocupadas por carros"."É um produto que está morto", por "não haver promoção de bicicletas e ciclovias", observou. "As temperaturas, as inclinações, os pavimentos, o tráfego, os riscos de segurança e a falta de estacionamento para bicicletas" são factores que, segundo José Neves, dificultam quem quer aderir ao transporte alternativo.José Caetano, presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta afirma que Portugal é dos países onde menos se utiliza a bicicleta como principal meio de transporte, de acordo com um recente inquérito divulgado em 2007 pela Comissão Europeia. A dificuldade principal está na "falta de infra-estruturas, especialmente nas estações do metro e CP de Lisboa", porque aqueles que gostam da modalidade "têm de andar de bicicleta às costas", sugerindo que "deveriam ser criadas melhores condições para transportá-las".




Lisboa parece querer acordar. As cidades independentemente da sua dimensão terão que repensar as suas formas de mobilidade urbana. Esta louca espiral de construção de estradas, auto-estradas, viadutos, pontes, túneis e parques de estacionamento é um erro estratégico que já estamos a pagar caro. Um continente que baseia a sua mobilidade principal num só meio está, a prazo, a condenar-se. No caso das cidades estas têm de ser cada vez mais cicláveis e amigas do ambiente. Através de económicas e ajustadas decisões que promovam e favoreçam a mobilidade dos cidadãos através da bicicleta. A bicicleta não é hoje uma moda do politicamente correcto. Uma bela imagem que fica bem nos prospectos turísticos. Uma ideia que dá um toque de modernidade que cai sempre bem. Ela é uma das várias opções de mobilidade alternativa nos espaços urbanos, aliando uma enorme liberdade de decisão dos cidadãos à promoção da actividade física integrada no estilo de vida das pessoas e reflexos na sua saúde individual. De uma vez por todas, importa encarar a bicicleta como um meio alternativo de mobilidade, em que as políticas de promoção da sua utilização devem vincá-lo activamente. Para quando de uma forma consistente um projecto desta natureza em Águeda?

sexta-feira, junho 06, 2008

O exemplo que vem de cima ...

10 de Junho
Dezanove ministros e secretários de Estado nos quatro cantos do mundo

05.06.2008 - 23h27 Ana Cristina Pereira, Ricardo Dias Felner

É o maior investimento de sempre de um Governo nas comemorações do 10 de Junho no estrangeiro. Ao todo, cinco ministros e 14 secretários de Estado irão assinalar o Dia de Portugal junto de portugueses residentes no estrangeiro, em comemorações que decorrerão entre os dias 8 e 15 de Junho. Do Luxemburgo a Sydney (Austrália), de Pretória (África do Sul) a Montevideu (Uruguai), em cada continente haverá algum membro do Executivo.Manuela Aguiar, secretária de Estado das Comunidades nos governos de Cavaco Silva, garante que "nem por sombras" conseguiu tamanho envolvimento dos seus colegas no Executivo: "Iam uma meia dúzia se tanto, quase só secretários de Estado." Também José Cesário, que ocupou o mesmo lugar com Durão Barroso a primeiro-ministro, sublinha o facto de se tratar de uma operação "inédita" no Dia de Portugal: "Normalmente éramos uns sete, oito, nove".O actual titular da pasta, António Braga, diz-se satisfeito, focando a "receptividade" dos seus colegas no Governo. O esforço parece-lhe tanto mais importante quanto a diáspora engloba áreas que tocam "todos os ministérios, desde a Segurança Social à Educação ou à Justiça". Parte dos governantes aproveitarão para manter contactos bilaterais. O secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira, por exemplo, irá a Lambeth, município que mais concentra portugueses no Reino Unido. Terá uma reunião de trabalho com o chefe da polícia, Jeremy Tagg, outra com a sua homóloga britânica, Bridget Prentice.Houve solicitações "praticamente de todos os sítios" que acolhem uma população portuguesa numerosa ou influente. Por impossibilidade de agenda, muitas ficaram por satisfazer.Aguiar e Cesário consideram o investimento válido e justificado. O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Carlos Pereira, também, "até porque a maior parte dos membros do Governo não costuma ter sensibilidade para estas questões". "É muito importante para os portugueses que estão fora do país terem um membro do Governo junto deles", diz Manuela Aguiar, explicando que, no seu tempo, tal não foi possível por "questões orçamentais" e por não ser "prática comum"."Se for só para passear, não vale a pena, as pessoas que venham para ouvir, para tomar medidas", avisa José Xavier, sindicalista e conselheiro das comunidades na Holanda, onde há problemas graves de exploração de trabalhadores temporários portugueses. A representar o Governo, em Haia, estará Idália Moniz, secretária de Estado Adjunto e da Reabilitação, do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.Há reacções mais agrestes, como a de Ivo Sousa, conselheiro eleito por Pretória: "Mandam um secretário de Estado que a gente não conhece." Quem? O secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro. "A África do Sul tem meio milhão de portugueses. Podia vir, não digo José Sócrates, mas alguém conhecido como António Braga." Braga irá a Moçambique e Sócrates não alinha.Cesário estranha algumas decisões: "Não tenho conhecimento que vá alguém a Toronto e isso é uma falha." Esta cidade canadiana é conhecida por ter as maiores festas do Dia de Portugal, a par com as de Newark, nos Estados Unidos.O Conselheiro das Comunidades Portuguesas em Toronto, Laurentino Sousa Esteves, é ainda mais crítico: "Já estamos habituados. Toronto nunca esteve entre as prioridades do Governo Português", afirma, sublinhando tratar-se de uma das maiores "cidades portuguesas" fora de Portugal continental, capaz de reunir 100 mil pessoas na parada, que este ano ocorrerá a 8 de Junho. Há uma explicação para isto, atesta a secretaria de Estado das Comunidades. O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, visitará os portugueses ali residentes por essa altura.Um tom particular terá este ano a festa na Suíça. Os festejos oficiais transferem-se para Neuchâtel, onde está radicada a selecção nacional de futebol, e terão como anfitrião Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto. in O Público 6.6.08 http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1331423&idCanal=12
Assim se vê a força de um país. Crise económica? Dificuldades nas finanças públicas? Deficit orçamental? Tempo de vacas magras? Necessidade de racionalizar os custos? Aperto generalizado do cinto? Importância de introduzir rigor nas contas públicas? Quem disse tudo isto?
Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Aqui está um bom exemplo, de como um gesto destroi grandes discursos. Aqui está como uma atitude extremamente assertiva sobre decisões de gestão financeira das contas do Estado, apenas se aplicam aos outros. Aqui está um bom exemplo de enormes tiros nos pés, contribuindo para a descredibilização dos políticos que nos (des)governam e da classe política em geral. Apesar de tudo compreendo estes senhores. Perante a natureza dos problemas e a forma como as respostas políticas encontradas estão a operacionalizar-se, a solução é ... viajar.
Até quando?

sábado, maio 31, 2008

Empurrão...

"I love football, but...!", mas... concordo em absoluto com os argumentos defendidos pelo RN no seu último post. É simplesmente irritante e arrefece o "I love you". Deixem-me "estender" o ensandecimento (e a irritação) à frenética actividade publicitária que (muito naturalmente, diga-se) se desenvolve em torno do tema selecção. Cerveja, telemóveis, bancos, e por aí adiante... com o mau gosto e até estupidez a reinar. Há, porém, um desses exemplares de publicidade televisiva que merece aqui destaque especial: um autocarro, pintado com as cores da selecção, é empurrado por um conjunto de cidadãos (portugueses, imagino) até Viena (ou seja, até à final do EURO 2008), num esforço "comunitário" cheio de energia social. O que é que o anúncio pretende promover? A imagem da GALP, uma GALP cheia de energia social e ao serviço do país...
No contexto actual, em que os portugueses pagam um litro de gasolina a 300 paus, a GALP mostra na TV aqueles que se vêem à rasca para encher os depósitos dos seus veículos a gastar energia para empurrar um autocarro que transporta apenas dois passageiros... e mais ainda, dois passageiros para quem 1,5 € são uma muito, muito, muito nano-partícula da sua milionária massa salarial mensal. O "BUT!" torna-se cada vez maior!

We love football ... but


O país está a "ensandecer". Mas como ensandecemos ou porque ensandecemos? Ao longo dos últimos dias a catadupa de espaço nobre televisivo ocupado com a nossa participação futebolística no campeonato europeu, tem sido desmesurado. TODOS os canais televisivos, colocam na prioridade das prioridades a selecção de futebol, o scolari, o cristiano ronaldo, o treino de hoje, à frente de tudo e de todos. Cada dia ficamos a saber de que lado da cama dorme cada jogador, como lava os dentes, que automóveis utiliza, como passa os seus tempos livres, eu sei lá. Os notíciários abrem com directos de Viseu sobre o estágio da selecção de futebol. Assiste-se à saída do veículo pesado que transportará até à Suiça, todo o material necessário à participação portuguesa no campeonato europeu de futebol. A seguir fazem uma reportagem sobre o crescimento da relva no estádio suiço, onde jogará a dita selecção. Passa-se de seguida para a entrevista ao emigrante português que trabalha no hotel, onde ficará alojada a dita selecção em terras helvéticas. Depois discute-se o nº de jornalistas estrangeiros em Viseu. Entrevistam-se os portugueses que não tendo mais nada que fazer, foram até Viseu acenar aos craques da bola e pedir autógrados. Quase que podemos dizer que roça o caricato e ridículo a natureza do "jornalismo" com que nos brindam...

Pode um país ficar anestesiado em função da sua louca paixão pelo futebol? Pode um país prescindir de se pensar, para dar prioridade a um jogo? Pode um país em crise e sem perspectivas, centrar as suas atenções e energias num jogo, desligando do resto? Podem as elites políticas desse país, embarcar nesta amnésia colectiva da bandeirinha e do hino - cantado em brasileiro - esquecendo os problemas e o futuro?
Pode um país dar-se a esse luxo?
Como estamos a observar pode. A explicabilidade do desporto pelas vivências emocionais proporcionadas, não devem fundamentar tudo. Um país com graves problemas. Com desemprego crescente. Com dificuldades de enorme coesão social. Com desigualdades sociais gritantes. Com fortes indícios de corrupção e tráfico de influências no tecido político e empresarial. Com uma diminuição do investimento estrangeiro. Com um descrédito social nas instituições da sua justiça. Com grandes problemas nas finanças públicas.
Um país sem norte de desenvolvimento estratégico, apenas refugiando-se nas ilusões do sucesso efémero e circunstancial, pode suportar tais elites políticas, tais problemas e ausência de soluções e conseguir dormir tranquilo.

Todos adoramos o Futebol. Mas há muito mais mundo para lá do Futebol, que é apenas mais um ... jogo. E antes do Futebol tem de existir um país com pessoas que têm direito a ser felizes. Com ou sem futebol.

segunda-feira, maio 26, 2008

Comemorações dos 30 anos...

No último fim de semana, estava eu a corrigir testes quando, confesso que não sei a propósito de quê, me lembrei que no próximo mês de Agosto, passam 30 anos sobre o meu primeiro Inter-Rail, o mítico passe que permitia (ainda permite, se bem que a uma escala reduzida) percorrer uma boa parte da Europa de comboio a preços reduzidos. Para assinalar a efeméride, eis que emerge um blogue das memórias do egrégio 'eu' :
... não querendo o 'egrégio' e o 'eu' significar qualquer auto-fechamento do nóvel blogue. Aceitam-se comentários e histórias relacionadas com viagens e, claro, com o InterRail em particular.

sexta-feira, maio 23, 2008

Escolas, políticas e isolamento



Mães de Vilar de Perdizes contra fecho da escola

Mães consideram que 15 alunos e uma escola com boas condições é suficiente para não fechar.
Em criança, Margarida Carrelo só foi um mês à escola. Abandonou para ir guardar as ovelhas que a mãe comprara. Nesse tempo, " a escola era na parte de cima de uma casa. Na parte de baixo dormiam dois bois". "Cheirava muito mal, mas nem assim Salazar a fechou. E, hoje, com todas as condições, querem-nos a fechar!". Inconformada, ontem, Margarida, de 80 anos, juntou-se a mais de uma dezena de jovens mães que protestam contra o encerramento, no próximo ano lectivo, da escola do primeiro ciclo de Vilar de Perdizes, em Montalegre. "Devia estar aqui o povo em peso", insurgia-se a octogenária que completou a quarta classe já em adulta. O encerramento do estabelecimento foi confirmado há menos de uma semana pelo próprio presidente da Câmara de Montalegre, Fernando Rodrigues, no decorrer de uma reunião com as mães. Dispostas a tudoOs 15 alunos que frequentam a escola terão que ir para Montalegre, onde, no âmbito da reorganização do primeiro ciclo se irá concentrar grande parte dos alunos do concelho. Inconformadas com a decisão, as mães prometem luta. "Estamos dispostas a tudo!", garantem. O autarca diz, no entanto, que é a "qualidade do ensino que está em causa". "Em Montalegre, a escola tem boas salas, aquecimento, cantina, actividades de enriquecimento e um professor por ano, coisa que em Vilar de Perdizes não acontece. O mesmo professor ensina os quatro anos", defende Rodrigues. Os argumentos das mães são de outra ordem. "Vamos ter que os levantar às 6.30 horas. E à noite só chegam às seis. De Inverno, a essa hora é de noite. Ou seja, chegam, comem e vão para a cama. Que tempo passam com a família?", questionava uma mãe professora. "Eles nem em casa comem bem, com uma pessoa a insistir, quanto mais lá!", lamentavam. Mas as "boas" condições da escola também são usadas para defender a sua manutenção. "Quando lá vou, até me apetece ficar. Está um mimo!", explicava a mãe Sameiro. Além de quatro salas, aquecimento central, material informático e recreio coberto. "O presidente diz que lá estão melhor porque cada classe vai ter um professor. Então, se é isso, porque não contratam mais professores?", argumentava outra mulher. in JN 23.5.08



Um caso real. De uma comunidade que se questiona. Que não reclama por reclamar. Apresenta razões e fundamentos. Uma das evidências de como a "cegueira política" alicerçada nas correntes neo-liberais dominantes forçam o destino, o estilo de vida e as relações familiares de um grupo de crianças de uma comunidade. Um caso que prova como a passagem do 8 para o 80 nesta questão nacional da reorganização da rede escolar carece de muita racionalidade e ....sensibilidade. Quantos de nós gostaríamos de fazer levantar os nossos filhos pelas 6.30h da madrugada? Quantos de nós os gostaríamos de voltar a ver pelas 18 horas?
Na pureza das razões subjectivas, estas mães e avós colocam singela, mas objectivamente a falta de visão que leva a escola a contribuir para a litoralização do país e sua desertificação nos pequenos lugares. Se não pode haver uma escola em cada lugar, também não deve existir uma só por concelho!!!

Águeda antiga


A Foto Pop, de Águeda, está a organizar a terceira edição da exposição “Passado da Nossa Terra”. Vai estar patente ao público de 17 a 25 de Maio, no pavilhão do GICA. in SP 8.5.08


Mais uma vez temos a oportunidade de ver e mostrar aos mais novos, imagens antigas de Águeda e das suas gentes. Numa iniciativa particular louvável, é possível reencontrar uma Águeda antiga ao nível da sua força de associações e colectividades (grupos de folclore, clubes desportivos, festas religiosas, etc) como do desenho urbano da cidade e seu património arquitectónico. Apesar da sua desordem temática e cronológica é sempre uma oportunidade de verificar como Águeda-a-Linda foi e de como se transformou. Desde o velhinho Campo de Futebol S. Sebastião recordando tardes de domingo carregadas de gente e glória desportiva, até aos belos espaços do Parque da Alta Vila e da Quinta da Borralha.
Numa terra em que se valoriza muito pouco o passado e num momento em que as novas tecnologias disponibilizam meios mais eficazes e económicos de o fazer, é tempo de pensar uma memória colectiva através da imagem. Tirando partido do esforço individual de cidadãos como António Silva e António Breda que ao longo dos anos e a suas expensas têm feito um trabalho solitário de recolha de imagens de Águeda, fundamentais para fazer memória colectiva. A importância da imagem na nossa memória colectiva, aliada aquilo que são hoje as possibilidades de armazenamento, torna a tarefa de construção de repositório dos diversos passados inquestionável em termos de identidade de Águeda. As instituições existem, também, para ajudar a ver e reflectir sobre o passado. Não há comunidades com futuro que não conheçam o seu passado, o entendam e o transmitam às novas gerações.

quarta-feira, maio 21, 2008

Ciclismo e doping - também tu LA-MSS?


Morte de ciclista da LA-MSS levanta suspeitas (Expresso on-line 20.5.08)


Corredores da LA-MSS suspeitos de doping (Expresso on-line 20.5.08)


PJ investiga conexão entre laboratórios da Galiza e equipa ciclismo LA-MSS
Fonte policial disse à Lusa que é possível que a LA-MSS se tenha abastecido, de forma ilegal, em laboratórios espanhóis da região galega. (Expresso on-line 21.5.08)

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/326155

A equipa de ciclismo profissional portuguesa LA-MSS protagonizou um projecto desportivo que com base numa estrutura organizada, alcançou sucesso desportivo. Aqueles que observam o ciclismo, habituaram-se a ver na LA-MSS uma equipa profissional, que seleccionava atletas, que preparava a época desportiva, que se batia pela internacionalização, que buscava as melhores performances ao longo das épocas desportivas. A LA-MSS não era "mais um veículo publicitário de uma qualquer marca em busca de notariedade". Parecia ser essencialmente um verdadeiro projecto desportivo, obviamente dirigido para a alta competição nacional e internacional. Por todas estas razões, estas notícias - se vierem a conduzir aquilo que se teme - deixam-nos tristes e profundamente decepcionados. Não se trata de um qualquer ciclista que individualmente, e fora de controlo pretende dar nas vistas, mas antes uma ideia assumida, uma razão estrutural para o treino desportivo. As características do ciclismo, não justificam tudo. Não pode ser a dureza do esforço nas montanhas ou os ritmos de corrida alucinantes que podem justificar ou branquear processos de preparação e treino que alterem a verdade desportiva e o "fair-play" que todos desejamos. Que se andem menos quilómetros. Que não se trepem tantas montanhas. Que se diminuam os ritmos de corrida. Que se reduzam o número de etapas. Que se introduzem mais dias de descanso. Mas que haja verdade desportiva e que a prática desportiva não seja motivo suficiente para desgraçar a saúde de ciclistas. Jovens e menos jovens. A beleza do ciclismo, não pode ser manchada pela dúvida, pela suspeita constante do doping. Todos os que gostam de ciclismo e das bicicletas em geral, ficam de luto com notícias destas.

Alguém que nos explique

Os tempos são de crise. Mas como quase sempre, a crise é só para alguns. Para outros aquilo que se designa por crise são momentos - demasiado longos - em que as pessoas estão adormecidas e psicologicamente preparadas para o pior. A culpa é do desenvolvimento da China e da India. A culpa é da guerra do Iraque. A culpa é do assalto ao gasoduto na Nigéria. A culpa é da constação de insuficientes reservas norte-americanas do dito petróleo. A culpa é da plataforma ao largo da Noruega que abanou e reduziu o nº de barris extraídos ontem depois da missa. A culpa é do deficit orçamental português que à sombra do preço da gasolina está a facturar ao nível do iva........ Tudo é bom motivo para embalar esta estória mal contada onde os lucros exponenciais das gasolineiras se medem em centenas de milhões de euros.
Em nome do "bom funcionamento do mercado" e da livre iniciativa empresarial, o Estado lava daí as suas mãos e vai pedindo "um estudo à Autoridade da Concorrência", sobre um assunto em que pode haver de tudo menos concorrência económica.
Mas quando é que podemos avançar com a Alta Autoridade para a Evidência Estupidamente Evidente?

domingo, maio 18, 2008

Números...

Enquanto esperava pelo início de uma reunião realizada no Minho, cruzei-me por acaso com um boletim da EURES (um programa da UE que visa a cooperação transfronteiriça) Norte Portugal-Galiza. Na sétima página eram apresentados números relativos à oferta de emprego nas duas regiões para os quatro últimos meses de 2007. Ficam aqui, e apenas para algumas categorias profissionais, os números de Setembro de 2007:

Operarios industriais

Norte: 640
Galiza: 274

Trabalhadores qualificados indústria

Norte: 240
Galiza: 575

Empregados tipo administrativo

Norte: 275
Galiza: 586

Licenciados (Politécnico ou equivalente)

Norte: 81
Galiza: 1878

Licenciados (Universidade)

Norte: 71
Galiza: 1857

Sem comentários...

Sonata No. 8 in C Minor, op. 13

O José e o Manuel fumaram durante um voo "de estado"! Foram apanhados! Quando aterraram nos domínios territoriais do Hugo, um deles, o "premier", que desconhecia a lei (alguém acredita nisto?), sentiu necessidade de vir pedir desculpa aos portugueses (e portuguesas) e anunciar que vai deixar de fumar. Ridículo...
O Jorge, presidente do FC Porto, foi convidado pelos deputados do PS que são adeptos do clube para um jantar. Não tenho nada contra o FC Porto (antes pelo contrário...), mas não posso deixar de considerar tal evento uma bacoquice que não dignifica o nosso já de si pouco dignificado Parlamento.
O nosso ministro das finanças, instado a reduzir os impostos sobre os combustíveis, diz aos portugueses (e portuguesas), que não, que aquilo que os portugueses (e as portuguesas) têm a fazer é começar a arranjar formas alternativas de mobilidade (que não tenham no petróleo e derivados a sua fonte energética). Em abstracto, até concordo. Tendo em conta a qualidade dos transportes ferroviários de passageiros e de mercadorias no nosso País e dos transportes públicos em geral, discordo e acho ridículo!
Três momentos cuja banda sonora só poderia ser a Sonata nº 8 em Dó Menor, Opus 13 do Luis de Beethoven, mais conhecida por "Pathetique"...

sábado, maio 10, 2008

Carta Educativa de Águeda - a fria realidade



Tanto quanto é do domínio público, a Carta Educativa de Águeda ainda anda em bolandas, com comissões da Assembleia Municipal, fugas de informação para os jornais da terra fazerem manchetes, demissões e ameaças de demissões da dita, impasses entre os partidos do centrão e algo mais. O facto é que Águeda é neste momento um dos 11 (sim, onze!!!) municípios -http://www.min-edu.pt/outerFrame.jsp?link=http%3A//www.gepe.min-edu.pt/np4/69.html - que ainda não formalizou uma Carta Educativa como documento estratégico para a definição das suas infra-estruturas educativas e suas implicações. Poderão dizer. Isso não interessa nada, são só três dúzias de páginas de papel escrito com uns quantos gráficos. A questão é essencialmente política e social e revela a qualidade da nossa democracia participativa. Não fomos capazes, até agora, de criar um clima de debate democrático em que as opiniões dos cidadãos fossem colocadas com as opiniões dos técnicos responsáveis pelas propostas. E neste momento estamos na cauda do país, como um dos 11 concelhos que ainda não respondeu a este quesito de planeamento, que pode ser essencial para a candidatura a fundos comunitários no âmbito do anunciado QREN.
Não nos consola ter a noção de que neste momento Águeda é um dos concelhos, onde aquilo que não se deve fazer durante um processo de elaboração de uma Carta Educativa, pode servir de objecto de estudo... Desde tentativas de aprovação imediata, imposição de soluções sem fundamentos técnicos, propostas sob pressão política e social, ausência de um debate sério, falta de um sentido estratégico para o documento, esquecimento de especificidades de algumas freguesias e finalmente deixar cair uma questão como a Carta Educativa na assumida "chicana político-partidária" que pouco acrescenta.
Mais uma vez quem ficará a perder será Águeda e os seus, pois o tempo é cada vez mais um bem precioso para a tomada de decisões, não se compadecendo com a qualidade e a forma de em Águeda se fazer política.
A confragedora imagem (clicar para ampliar), que identifica no mapa nacional o processo monitorizado pelo Ministério da Educação sobre as Cartas Educativas que acima reproduzimos, é demasiado esclarecedora...
Porque tem de ser assim?

sexta-feira, maio 09, 2008

Parabéns Recreio

A equipa principal do RDA - Recreio Desportivo de Águeda sagrou-se campeã distrital de futebol e consequentemente irá disputar na próxima época desportiva um campeonato nacional. Esta foi uma época desportiva histórica, pois que nunca imaginei que fosse possível o Recreio disputar a mesma competição da BARC da Borralha. Alguém poderia imaginar que tal fosse possível? A vida desportiva dos clubes é assim. E neste momento a melhor prenda pela subida de divisão do Recreio, não será um qualquer cheque camarário ou a contratação do melhor craque regional. O Recreio carece de mudar de paradigma ao nível das suas finalidades desportivas e sociais, alicerçando a sua sustentabilidade numa ideia e projecto de clube que tenha a prática desportiva como verdadeira referência. Esqueçam-se as tardes gloriosas de bancadas cheias e bandeiras ao vento. Esqueçam-se os títulos de jornais e as transmissões televisivas. A capacidade de um clube desportivo de cariz regional, ganhar dinâmica e sustentabilidade passa por conseguir ser um pólo de atracção da aprendizagem e consolidação do Futebol nas suas múltiplas facetas. Um clube da dimensão do Recreio tem que ser detentor de um projecto que atraia os jovens a partir da prática do Futebol, em diferentes contextos: competitivos e não competitivos. O tempo do clube virado para o espectáculo desportivo, dizendo-se que representa a cidade e o concelho na visibilidade mediática, com custos elevados e pouco suportáveis está a chegar ao fim. Os poucos meios financeiros disponibilizados pelo erário público, devem ser comprometidos com as condições das práticas de largas massas de cidadãos e não apenas de um grupo restrito. Faz hoje pouco sentido, que a prática desportiva com visibilidade "custe os olhos da cara" a muitos municípios e regiões. Felgueiras já acabou e todos ficámos a saber como foi. A Madeira ainda é como é - em várias modalidades desportivas - mas o cerco está-se a apertar, pelo que o valor da Saúde tem de emergir em torno do incremento das práticas desportivas generalizadas a toda a população. Também aqui não podemos continuar na cauda da Europa, apenas com a Grécia atrás de nós... Um clube desportivo que hoje não valorize a formação desportiva, que não invista nas condições materiais da prática, que não aposte na qualidade do enquadramento técnico e que não tenha um sentido estratégico da sua acção, corre o risco de viver aos solavancos e aos acasos. O Futebol é hoje a nível mundial um pólo de oportunidades para mobilizar os jovens para a adopção de estilos de vida mais activos, pelo que um clube como o Recreio tem de cumprir a sua função social de contribuir para que a prática desportiva chegue a um maior número de pessoas. Estilos de vida mais activos é sinónimo de níveis mais elevados de saúde pública, pelo que importa valorizar a prática desportiva em alternativa à contemplação desportiva na bancada ou no sofá.

A história e o passado do Recreio merecem um projecto. Um projecto que revitalize o clube, associando-o à cidade e às suas gentes. Que lhe permita olhar o futuro com optimismo e confiança.


PS - A última vez que vi um jogo do RDA, foi a pedido de um amigo cujo filho vinha jogar a Águeda numa equipa do Beira Beira. Fiquei envergonhado!!! Aconteceu de tudo. Até o treinador do Recreio ser expulso pelo árbitro. Isto num jogo de infantis...

terça-feira, abril 29, 2008

Sempre o leitão

Águeda muda de actores políticos, mas as estratégias de intervenção mantêm a identidade regional. E nesta o leitão assado à moda da Bairrada dificilmente, deixa de ser rei e senhor. Agora, segundo o centenário semanário cá do burgo SP - http://www.soberaniadopovo.pt/portal/index.php?news=6576 - foi o Estoril Open a render-se aos sabores do leitão. Estamos a imaginar aqueles betinhos da linha a ficar ensaboados gordurosamente de leitão, ou o tenista finalista que perdeu para Roger Federer, por lhe ter caído mal uma sandolas de leitão...


A gastronomia aguadense e da Bairrada estiveram representadas ao mais alto nível no último Estoril Open.O Restaurante Vidal, na verdade e em colaboração com as Caves Aliança, foram convidados a estarem presentes neste torneio mundial de ténis - o primeiro com o famoso leitão assado. As sandes deste invulgar petisco foram verdadeiras “campeãs”. As Caves Aliança apresentaram o espumante da Bairrada, ambos marcando presença de verdadeiros ex-libiris da região.Foi, na realidade, uma semana da arte de bem servir este grande iguaria portuguesa e de levar ao mais alto nível o nome de Aguada de Cima e da região na Capital Mundial do Ténis. in SP

quarta-feira, abril 23, 2008

Aveiro - por um metro de superfície

Organizado pela autarquia de Aveiro, o seminário «Metro Ligeiro de Aveiro – que repercussões na Economia, no Ambiente e na Mobilidade o justificam?» visa debater e considerar a implementação daquele meio de transporte na cidade, contando com as intervenções de representantes de entidades e empresas do sector dos transportes e de especialistas em mobilidade.
O objectivo da sessão passa também por promover a reflexão sobre os meios de transportes mais capacitados para responder, simultaneamente, aos desafios da modernidade e à preservação da identidade da cidade, e por reunir contributos que enriqueçam a «Política de Cidades, Mobilidade e Transportes».
Os interessados em participar no seminário poderão efectuar a inscrição (ficha disponível
aqui) na Casa Municipal da Cultura – Edifício Fernando Távora, de Segunda a Sexta-feira, das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00, através do telefone 234 400 551, fax: 234 377 765 ou endereço electrónico metroaveiro@cm-aveiro.pt.

O programa completo é o seguinte:09h30 – Recepção aos participantes10h00 – Sessão de Abertura pelo Presidente da autarquia, Dr. Élio Maia10h15 – Presidente da GAMA – Grande Área Metropolitana de Aveiro de Aveiro, Eng.º Ribau Esteves10h30 – Secretária de Estado dos Transportes, Eng.ª Ana Paula Vitorino10h45 – Sistemas Ferroviários Ligeiros: custos e adequação - Eng. Juvenal da Silva Peneda Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte – CCRN11h00 – Almada: a um metro do futuro – Eng. Mário Alves Consultor em Transportes e Mobilidade11h15 – Pausa para café11h45 – Implementação de Sistema de Metro Ligeiro com aproveitamento de linhas ferroviárias pré-existentes: uma reflexão – Prof. Álvaro Seco Metro de Mondego12h00 – Metro do Porto, os primeiros anos do sistema – Dr. Nuno Aleluia Metro do Porto12h15 – Alargar Horizontes – Dr. Paulo Reis Transdev12h30 – Debate – moderação a cargo do Prof.
Jorge Carvalho Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Politicas da Universidade de Aveiro13h00 – Intervalo para almoço14h30 – Outros modos: solução complementar ou alternativa – Eng. Robert Stussi Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico14h45 – Tram-Train e a estratégia de mobilidade sustentável e de desenvolvimento durável – Eng. Carlos Gaivoto Especialista em Transportes e Mobilidade15h00 – Mobilidade Sustentável: Uma questão de Saúde Pública – Dr.ª Dalila Antunes QUERCUS15h30 – Debate moderado pela docente do Departamento de Mecânica da UA, Prof. Margarida Coelho15h50 – Pausa para café16h15 – Alstom: Sistemas Inovadores em Metros Ligeiros – Eng. Luís Coimbra Alstom16h30 – Sistemas de Mobilidade Urbana da Siemens – Eng. Herbert Seelmann Siemens16h45 – Debate17h10 – Encerramento – Vereador da Mobilidade de CMAveiro Dr. Capão Filipe
Mais informações podem ser obtidas
aqui
Num momento em que alguns se recusam a bater muitas palmas e a considerar fantástico o mero anúncio de uma via rápida portajada Águeda-Aveiro; em que o Vítor Gomes interpela em Águeda o Ministro das Obras Públicas sobre o projecto do metro de superfície para a região eis que a autarquia de Aveiro surge a liderar a marcação na agenda política nacional de algo que remonta ao estudo realizado em 1995: o metro de superfície Águeda-Aveiro-Ílhavo. Para lá daquilo que possa existir em protagonismos pessoais e carreiras políticas de alguns actores políticos da nossa praça regional, importa alavancar a ideia subjacente a este projecto. Como já anteriormente aqui referimos - http://bloguejudeu.blogspot.com/2006/07/vale-do-vouga-metro-de-superfcie-e-tgv.html - o metro de superfície pode constituir-se como um projecto mobilizador de vontades e energias intermunicipais, que vão muito para lá de mais uma resposta a necessidades de acessibilidades e transportes no futuro da nossa região. Tem um enorme potencial, por poder envolver operativamente vários municípios, quebrando com as visões paroquiais do "eu é que fiz" ou "foi no meu tempo" ou ainda "eu é que tinha o nº de telemóvel do ministro" ...
Vamos todos apostar num projecto de metro de superfície que mobilize a região de Aveiro. Que a qualifique em termos de mobilidade interurbana e amiga do ambiente. Que aproxime as urbes em vez de as afastar.
Por quilómetros de metro de superfície!!!

sábado, abril 19, 2008

A iniciativa de promover um Prémio Manuel Alegre (http://www.cm-agueda.pt/PageGen.aspx?MCM_PaginaId=27652&noticiaId=35428&pastaNoticiasReqId=35276) para premiar novos escritores nas suas primeiras obras é uma boa iniciativa, já que coloca em prática a expressão identitária de não esquecer aqueles que ao longo do tempo, da urbe se destacaram. Apesar de esta ideia vir de longe, ainda não tinha sido operacionalizada. Foi pena é que Manuel Alegre não desse o prazer da sua presença. Mas a culpa foi da nossa autarquia, que devia ter em consideração as marés e o degelo serrano, de forma a apanhar o poeta na varanda da Rua de Baixo a clamar sobre o Rio Águeda e os seus campos. Ou então tivessem-no feito em Coimbra, ou até na FNAC do Colombo. Agora em Águeda!!!???

sexta-feira, abril 18, 2008

Eis-me regressado de uma temporada por terras finlandesas. Num contexto em que as poucas notícias com um cheirinho de Portugal metem, quase invariavelmente, um tal de Cristiano Ronaldo, (que soa a qualquer coisa como Querristianô Rrrônaldô em finlandês), não é de admirar a avidez com que me atirei ao Expresso do último fim de semana.

“Lisboa é a região da UE com mais auto-estradas”, “Médicos preocupados com ‘boys’ nos centros de saúde”, “A história do grupo de trabalho que... não trabalha”, “Professores recusam dar negativas”, etc.


"Perkele!!!", diriam os nossos amigos nórdicos.
A propósito de auto-estradas e de obras públicas em geral, aqui fica uma foto do aeroporto do segundo centro económico mais importante da Finlândia e localização do maior centro de investigação da Nokia, tirada no domingo ao meio dia. Será que há coisas mais importantes do que grandes e grandiosas infra-estruturas ou do que a taça do campeonato de quem tem mais auto-estradas?

















quarta-feira, abril 16, 2008

A Madeira, Alberto João e o Sr Silva

O Presidente da República Portuguesa está em visita oficial à Região Autónoma da Madeira. Nos entretantos dessa visita o Presidente do Governo Regional "Alberto João Jardim prefere fazer uso da ironia para aplaudir a decisão de excluir a sessão solene da agenda de Cavaco. Referindo-se à Oposição, o presidente do Governo Regional considerou que a cerimónia no Parlamento daria uma imagem negativa da Madeira, ao “mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa”. “Eu acho bem que não haja sessão solene. Acho que o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa seria uma péssima imagem da Madeira”, afirmava no sábado o chefe do Executivo madeirense. “Acho que isso daria uma imagem péssima da Madeira e teria repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente”, prosseguiu. Depois de aludir a deputados da Oposição com termos como “o fascista do PND, o padre Edgar (PCP)” e “aqueles tipos do PS”, Jardim rematou: “Eu cá não apresento aquela gente a ninguém”. O líder do PSD-Madeira classifica mesmo a visita do Presidente da República como uma “rotina” que se inscreve nos “hábitos dos chefes de Estado”. in http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=339512&visual=26&tema=1


Perante isto que reflexão se pode fazer? Como é possível que uma Presidência da República com Casa Civil, Casa Militar, Chefes de Protocolo, assessores disto e daquilo se sujeite a estes desmandos? Como é possível obedecer calado a um programa de visita? Mas agora os programas das visitas oficiais não são "desenhados" pelas duas partes? Como é possível que um orgão de soberania como a Presidência da República se permita ser achincalhado, não em meras questões protocolares, mas na essência da sua representatividade e articulação inter-institucional, que deve ser a dimensão política? Como é possível fazer de uma visita oficial de um orgão de soberania, uma mera visita de rotina, ao nível de uma qualquer acção administrativa?


Quanto a nós quem pior ficou na fotografia, foi o nosso Presidente da República que teve uma óptima oportunidade para intervir em nome do Sr Silva, impondo politicamente a natureza da visita oficial.


Porque tantos temem tanto Alberto João Jardim?

segunda-feira, abril 14, 2008

Trilok Gurtu - vibrações reduzidas

Trilok Gurtu famoso percussionista - http://www.trilokgurtu.net/ - conhecido por já ter gravado com "meio mundo" da cena jazzística mundial, integrado nas 6ª culturais deu um concerto em Águeda. Devo confessar que o meu desapontamento musical, foi enorme, pois tanto do ponto de vista técnico como criativo, não me pareceu nada de extraordinário. Pelo contrário, um percussionista sentado à volta da fama já alcançada. Isto apesar de sabermos que um percussionista sózinho em palco, é um desafio grande em termos musicais. Para mim, "quero pão", "frango" e uns quantos ensaios de cânticos de plateia é pouco, para quem vinha rotulado de melhor percussionista mundial. Também não se pode acertar sempre!?

sexta-feira, abril 11, 2008

Águeda-Aveiro - a via rápida ao nosso bolso


Para que poucas dúvidas restassem e os espíritos mais entusiastas não se excedessem, parece que o ministro do "oásis" Mário Lino veio a Águeda anunciar que a famosa, desejada e estudada via rápida entre Águeda e Aveiro, vai ser portajada (http://www.diarioaveiro.pt/main.php?mode=public&template=frontoffice&srvacr=pages_13&id_page=3786). Sim, aquela que nos habituámos a ser referida, anunciada e estudada em todas as campanhas eleitorais legislativas por todos os partidos políticos, vai surgir sim senhor, mas vai sair do nosso bolso, vamos pagá-la como se de um luxo se tratasse. Uma via reclamada pelos cidadãos e pelos empresários, verá a luz do dia, mas não haverá QREN que lhe chegue. Haverá QREN para todo o lado, mas para Águeda e região só ... pagando. Quase que me apetece dizer ... que assim também eu. Mas sobre tal facto não há opiniões, não há protestos, não há abaixo-assinados, ... ouvem-se poucas vozes, como portajar uma via rápida de 14 Km considerada estratégica num quadro de acessibilidades regionais fosse a mais natural das decisões. Onde páram os nossos políticos? Onde páram os presidentes da Câmara de Águeda e Aveiro? Onde páram movimentos de opinião sobre o tema? Claro que sou daqueles que ainda espero cá estar para ver se teremos de pagar os quilómetros que fazemos na estradas públicas e o ar respiramos para sobreviver. Esta louca espiral neo-liberal carregada de mentiras enroladas em meias-verdades, têm conseguido convencer a maioria das pessoas. Até quando?

quinta-feira, abril 03, 2008

Águeda e o novo mapa judiciário

Águeda exige a correcção do mapa judiciário na sequência da transferência, à última hora, da grande instância cível para o Tribunal de Anadia. Uma "decisão arbitrária", tomada "sem qualquer justificação" e "um rude golpe para os utilizadores"
O presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, quer acreditar que a "transferência" da grande instância cível para Anadia, destinada na proposta inicial do mapa judiciário para Águeda, não passará de um "lapso".
O autarca recusa-se a pensar que "as alterações resultaram de pressões ilegítimas, apenas destinadas a calar alguma possível contestação".
Contundente, vai deixando o aviso, num ofício enviado ao secretário de Estado Ajunto da Justiça, José Rodrigues: "Mobilizarei a população do meu concelho para que seja reposta a solução que cumpre as linhas orientadoras da nova organização judiciária, que nos foi oportunamente dada a conhecer e distribuída a todos os autarcas da NUT".
Para o autarca eleito pelo PS, a alteração "sem qualquer justificação" de posições assumidas põe em causa a transparência das decisões, a coerência das políticas e a afirmação "de um Governo que corre o risco de deixar de existir, porque não tem um rumo".
Para o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Matos, a falta de união em Águeda emperra o desenvolvimento mas "o Governo deve explicações a Águeda". Trata-se, considera, "um rude golpe para as aspirações dos utilizadores da justiça". In Região de Águeda, 28 de Março de 2008 (
http://www.regiaodeagueda.com/?zona=ntc&tema=1&lng=pt&id=2061)


Parece que as orientações do novo mapa judiciário, relativamente às especificações e tipo de tribunais a fechar, agregar, abrir ou a transferir é um pouco flutuante. Depois da transferência de Águeda para Anadia, pouco fundamentada e sempre mal digerida cá no burgo, parecia que a vingança, apesar de tardia se ia consumar. Mas, a política tem destas coisas. Nem sempre assume a racionalidade e a fundamentação das suas decisões, despertando para "visões integrais" que possam acalmar ânimos e sossegar vozes mais assertivas na defesa das suas posições. Anadia está em "pé de guerra" por causa do encerramento das urgências, sendo a comunidade mais persistente na defesa dos seus pontos de vista, processo acompanhado e apoiado pelo seu Presidente da autarquia. Com visibilidade, com efeito mediático ... Que é uma coisa de que este governo não gosta. Porque pretende que o palco mediático, seja um exclusivo seu. Águeda joga nos gabinetes, nas alcatifas e nos números de telemóveis. Alguns acreditam que no passado "Águeda foi o país". Não nos incluímos nestes, por muito bairrismo que sejamos capazes de assumir. Mas se hoje Águeda num quadro de "um campeonato interior e de escala média-baixa" pretende assumir algum protagonismo e liderança no contexto regional, não o pode fazer na base de disputa de secretárias, gabinetes, togas e valor de processos. O olhar para o futuro exige outra ambição que estimule a vontade de outros concelhos de "embarcar" com Águeda em projectos conjuntos de afirmação regional e nacional. Isto porque, fazer da guerra ao vizinho uma bandeira, é redutor. Conseguimos imaginar a "batalha de Avelãs de Caminho" ou as "escaramuças de Boialvo" como consequência de disputas deste género?

O problema é a forma de fazer política deste governo, medroso dos holofotes da comunicação social e sedento de "show-off" para representação do país de faz de conta. Aqui Águeda também á míngua de outras questões, também pode alimentar a "teoria do inimigo externo" à boa maneira de Pinto da Costa. Sempre se vão fazendo umas manchetes na comunicação social cá do burgo...

Agora é preciso cuidado com a análise de conteúdo dos ofícios que mandam para o governo do nosso PM. O Sócrates assim nunca mais cá vem, fazer sessões de "show-off", nem apresentar "coisas na hora. Ele não deve gostar que digam do seu governo que "corre o risco de deixar de existir, porque não tem um rumo"... Assim, nunca mais vão cantar as Janeiras a Belém...

quarta-feira, abril 02, 2008

Eleições à porta

Jorge Coelho vai administrar a Mota Engil
O ex-ministro socialista recusa "falar sobre o assunto", mas o Expresso sabe que vai ser administrador e entrar para a comissão executiva do grupo industrial. A presidência, não está confirmada.
Quem se mete com o PS leva!!! Lembram-se?
"A vida está cada vez mais difícil", "sempre andei à procura de uma coisa destas", "a minha carteira acumulada de nº de telefones tem de ser rentabilizada" ou "temos que saber tirar partido da fase pré-eleiçoeira que se avizinha, alicerçada no betão em força para impressionar o pagode e calar os do costume" ... Assim poderíamos justificar esta transferência da política e opinião activa para o mundo dos negócios dependentes de agendas e nº de telemóveis. Assim compreendemos as decisões das barragens inúteis e da estradas que se cruzam e chocam no mapa nacional, de preferência com as respectivas portagens que permitam continuar a sugar os pategos do costume. O poderoso lobby do betão resolveu não perder tempo e garantir acessos directos à decisão política. Economias de escala são previsíveis.
Até quando?

quarta-feira, março 26, 2008

Os deuses devem estar loucos ...

O presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), António Nunes, vai cobrar, a partir de hoje, cem euros por hora para participar em seminários, sessões de esclarecimento e intervenções realizadas em entidades públicas ou privadas. Além dos dirigentes de nível intermédio, também a presença de técnicos da ASAE nestas iniciativas será paga. Estas são apenas algumas das taxas de serviço que aquela entidade passará a cobrar, segundo uma portaria publicada ontem em Diário da República. in Correio da Manhã 26.3.08
Que comentários pode merecer esta notícia? Um organismo público de defesa da segurança na comunidade, financiado pelo orçamento geral do estado, pode/deve pautar-se por atitudes destas? Não está nas suas funções sociais divulgar legislação, normas e procedimentos com um carácter formativo e preventivo? Não lhe compete ser uma voz autorizada e qualificada ao nível do debate público destas questões por parte da sociedade civil? Não são estes organismos oficiais também responsáveis pela difusão de boas e fundamentadas práticas? Até onde irá esta falta de bom senso que parece ter assentado praça no país? Até onde irá a ausência de indignação e revolta, perante a falta de pudor instalada?
Até quando?...

quinta-feira, março 20, 2008

O Filhote morreu


O famoso Filhote, salão de jogos da Avenida, fechou. Os bilhares, os snookers e as máquinas de jogos electrónicos desapareceram. Os infindáveis jogos a dinheiro à vista da "fo..." terminaram. As memórias de tardes de juventude a polir os seus bancos, a jogar de taco na mão ou a ver jogar, ficam mais difíceis. No seu lugar surgiu um remodelado espaço de café, bem decorado e afirmativo nas cores e nas imagens. "Fashion" de seu nome. No outro dia fui tomar café na mesa que está no antigo espaço do bilhar livre. É uma sensação deveras estranha. Parece que se está num cemitério da nossa memória espacial. Um espaço vivido num tempo passado de boas memórias. É a vida ...

quarta-feira, março 19, 2008

Os aniversários do José e do Tony








A semana passada foi semana de comemorações e aniversários. O Tony Carreira celebrou 17 anos de actividade artística. O José Sócrates celebrou 3 anos de liderança governativa. O Tony Carreira celebrou junto de 17000 fãs no Pavilhão Atlântico em Lx. O José Sócrates celebrou junto de 4000 militantes no Pavilhão do Académico no Porto. O Tony Carreira apresentou-se num enorme palco, que partilhou com vários convidados. O José Sócrates apresentou-se num minúsculo palco redondo onde estava sózinho.
O país que temos.

sábado, março 15, 2008

Camané no S.Pedro

Integrado no programa 6ª feiras culturais, Camané trouxe o fado a Águeda. Uma excelente voz que andou mais pelo fado tradicional, do que pelo fado-canção. Mais uma casa cheia, que dá razão à regularidade das práticas culturais de qualidade, cá no burgo onde demasiadas pessoas estão sempre a dizer que nada acontece. Ontem aconteceu no S. Pedro a voz de Camané, graças à programação cuidada da D'Orfeu que produz estes espectáculos para a nossa autarquia.

Águeda-Aveiro - uma notícia boa e má em simultâneo?



Parece que finalmente vamos ter uma auto-estrada ou via rápida para a ligação entre Águeda e Aveiro. Esta era a notícia boa. Mas a notícia má é de que tal via de comunicação irá ter portagem. Chegados aqui lembro-me sempre dos nossos vizinhos espanhóis, que entrando no mesmo dia na então CEE, recebendo fundos comunitários como nós, investindo em vias de comunicação muito mais do que nós, ainda assim as "auto-vias" são excelentes estradas ao nível das nossas auto-estradas com uma diferença ... sem portagem. Nem concessões manhosas a favor das Brisas e grupos económicos lá do sítio.
Teremos que nos resignar a esta mediocridade de gestão política alicerçada em níveis de corrupção próximo do 3º mundo, que gera estes "benefícios" sofregamente aguardados. Já estou a ver, "muito obrigado Srº Ministro, o tempo que nós esperámos por esta portagem" ...


sexta-feira, março 14, 2008

Os professores, a marcha e a política

A mobilização dos professores a pretexto da contestação do modelo de avaliação do desempenho profissional foi um marco na demonstração da sua unidade. Tal parece ter sido o início e o rastilho para mais fortes e consistentes contestações às políticas do nosso PM, sempre lesto e assertivo na defesa da sua ministra. Tomara que assim fosse na luta contra a corrupção no país ...
Se a importância, necessidade e valor da avaliação dos professores não se contesta, o momento coincidiu com um crescendo de "verborreia legislativa" produzida pelo Ministério da Educação, na maior parte dos casos potenciando a burocracia e o completo envolvimento dos professores em tarefas burocratizantes. Iniciar um processo destes a meio de um ano lectivo, não pode ser considerado uma medida de bom senso ou produzida por alguém que faça uma ideia de como funciona uma escola.
Neste momento, face ao clima de crispação desenvolvido, importa encontrar saídas e soluções que beneficiem o clima de trabalho nas escolas e o ambiente de aprendizagem de que todos os alunos carecem. Será necessária a demissão da Ministra? Farão sentido mediadores mais ou menos institucionais? Terá influência o medo eleiçoeiro do nosso PM? Terá Manuel Alegre um militante do PS escondido, capaz de substituir a ministra da Educação e ajudar o nosso PM?
A principal questão é equacionar de que a avaliação de professores não é nem pode ser, o mesmo que a avaliação produtiva de qualquer empresa. Que importa definir um enquadramento conceptual do modelo de avaliação, que tenha na sua operacionalização formas simples de observação e verificação das competências evidenciadas por cada professor nas várias dimensões da sua intervenção profissional.

É preciso acalmar os ânimos e fazer com que todos compreendam que mais importante do que a avaliação individual é a avaliação da escola/agrupamento como organização, que a partir daí gerará os seus próprios processos de avaliação interna dos seus profissionais.

Deixem as escolas trabalhar ...

sexta-feira, março 07, 2008

Parabéns CR

Um grande abraço de parabéns para o CR. O FCP é que não ajudou, estragando o dia...

Colóquio actual

No último sábado, aqui em Águeda, tive oportunidade de ouvir o meu amigo Pedro Jordão num colóquio sobre a possibilidade ou impossibilidade da paz. Com o conhecimento e domínio das questões de segurança, economia internacional, terrorismo e diferenças culturais, pudemos disfrutar de uma lúcida e realista análise sobre a paz entre os países, as economias e as culturas. Fica a ideia da complexidade da situação, bem como o facto de que o actual momento político internacional, é bem diferente da realidade de alguns anos atrás, carecendo o futuro de tolerância e cooperação entre todos, para que a palavra paz tenha significado.

sábado, março 01, 2008

Uma pérola de ministro


A visita do ministro Manuel Pinho a uma feira de calçado mundial em Itália, foi motivo de confissões pessoais por parte deste. Assim, o ministro (http://www.youtube.com/watch?v=EzirXm5XuE0) confessa que até vinha para comprar sapatos madin in Italy, mas que agora depois de ver com os olhos que a terra há-de comer, a beleza e o design criativo dos sapatos portugueses, até vai comprar uns. Desta forma o responsável máximo pelo aumento das exportações portuguesas (balança de pagamentos, trocas comerciais, deficit, bla-bla, ...) dá o exemplo e publicamente assume que:


a) desconhece em absoluto um dos produtos emblemáticos da indústria nacional;

b) prefere o estrangeiro ao nacional;

c) implicitamente e do ponto de vista político não acredita naquilo que anda a fazer.


Com ajudantes de timoneiro deste calibre, continuaremos a fazer de conta que estamos no bom caminho. Apesar de parecer um pormenor, um descuido de um "gaffeiro profissional", que concerteza os assessores a esta hora já explicaram tim-tim por tim-tim, fica esta pérola na imagem de alguém que não acredita no que faz.


Para completar o caso, a sorte ou azar do ministro, naquela feira nada se vendia ao público...

Há dias em que mais valia ficar calado.